ETF à la carte

Os ETF são fundos de investimento abertos, admitidos à cotação e negociados em diferentes moedas em uma ou várias Bolsas de Valores, tal como se de uma acção se tratasse.

A sua cotação está associada à performance de índices de mercado, sendo a sua variação directamente correlacionada com a variação do índice respectivo, que constitui o seu benchmark. Tratando-se de activos que replicam índices de mercado, uma das grandes vantagens de investir em Exchange Traded Funds (ETF) é a possibilidade de diversificar investimentos.
A primeira associação que se faz quando falamos de ETF é a ideia de diversificação. A base de um ETF assenta num cabaz de activos financeiros, dos quais os mais transaccionados são os índices de acções, obrigações e as commodities, entre outros. Para compreender o mecanismo de construção dos diferentes tipos de ETF, é importante conhecer a origem da matéria-prima, ou seja, os índices e as Bolsas de Valores.
Os ETF, tal como as acções, são negociados em Bolsa, tendo o primeiro ETF sido admitido à cotação em 1990, na Bolsa de Valores de Toronto. A facilidade de execução e a capacidade de diversificação conduziram a um aumento em massa das transacções, tendo o valor em Bolsa destes fundos crescido mais de 20 vezes, desde 2000.
Os ETF são fundos de investimento abertos, admitidos à cotação e negociados em diferentes moedas em uma ou várias Bolsas de Valores, tal como se de uma acção se tratasse. Normalmente, os ETF são mais transparentes do que os fundos de investimento tradicionais, uma vez que a entidade gestora publica diariamente a composição do fundo. A sua cotação está associada à performance de índices de mercado, sendo a sua variação directamente correlacionada com a variação do índice respectivo, que constitui o seu benchmark. Desta forma, é seguido um tipo de gestão passiva, que consiste na replicação de um determinado índice de mercado e ajuste dinâmico da carteira, exactamente na mesma medida da evolução do índice, no caso de existirem alterações aos seus constituintes ou reinvestimento de rendimentos. O factor determinante para a sua volatilidade é a variação da cotação dos activos com maior peso em cada índice.
Tratando-se de activos que replicam índices de mercado, uma das grandes vantagens de investir em ETF é a possibilidade de diversificar investimentos. Por exemplo, quando se adquire um ETF sobre o S&P 500 estamos a replicar a aquisição das 500 acções diferentes deste índice norte-americano, na proporção em que elas o integram. É praticamente indiferente comprar as acções das 500 empresas ou comprar o ETF, com a vantagem que se gasta muito menos em comissões e se obtém um grau de diversificação semelhante. Podemos ainda aumentar o nível de diversificação, assumindo o risco de diferentes classes de activos. Neste caso não adquirimos apenas um ETF, mas constituímos uma carteira com vários ETF, que replicam vários índices de acções, obrigações, commodities, etc. Isto é, investir em ETF traz ganhos de eficiência ao investidor, uma vez que a gestão passiva, quando realizada em larga escala, tem custos de transacção e gestão mais reduzidos.

As razões do tracking error

Mas será que um ETF replica a 100% um determinado índice de mercado? Não, mas quase!
Os ETF estão sujeitos a um fenómeno a que se dá o nome de tracking error, que indica em que medida é que a performance de um ETF se desviou da performance do índice de mercado que pretende replicar. Estes desvios devem-se a custos de transacção e comissões de gestão, às diferenças entre o chamado Net Asset Value (NAV) e a cotação de fecho de um ETF por excesso de procura ou oferta em determinada sessão de Bolsa; pelo reinvestimento de dividendos, ou por as sociedades gestoras optarem por não seguirem o índice a 100%, abdicando, voluntária ou involuntariamente – por razões diversas como, por exemplo, a falta de liquidez –, de tomar posições nos activos que têm menor peso no índice.
Estudos empíricos demonstraram que este erro ou desvio face à performance do activo ou índice subjacente tende a ser maior em ETF sobre mercados menos líquidos, como o das commodities, ou sobre índices de menor dimensão. Índices como o Nasdaq (o ETF que o replica é o famoso QQQ) ou o S&P 500 (o ETF mais negociado é o SPY) apresentam valores residuais de tracking error nos ETF que os replicam.

Como escolher um ETF?

Apesar de transparentes e fáceis de negociar, existem sempre alguns cuidados a ter no momento de escolher o ETF mais indicado para determinado perfil de investidor. A diversificação deve estar sempre presente quando se pretende construir uma carteira, para que não fique exposto apenas a um mercado ou classe de activos. O primeiro passo deverá ser escolher o tipo de activo subjacente: acções, obrigações, petróleo, ouro…
A fase seguinte será avaliar o nível de tracking error dos vários ETF e a sua liquidez em mercado secundário. Se seguirmos estes conselhos, não será difícil. Se estivermos tentados a experimentar como funciona este instrumento, fazendo algum trading intradiário, por exemplo, os já referidos QQQ ou o SPY são dois excelentes pontos de partida, dada a elevada liquidez e fiabilidade na replicação dos respectivos índices.
No entanto, será difícil ficar por aqui, pois a oferta de ETF disponível no mercado é extremamente vasta, sobretudo quando saímos dos ETF simples e entramos nos mais complexos, com estratégias de alavancagem e gestão com utilização de algoritmos.

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